Dicas para escrever mais (e melhor)

Conteúdo sempre foi importante na vida digital, mas de uns anos pra cá a necessidade dessa “ferramenta” nas ações para internet tem ficado cada vez mais em evidência. É preciso fazer coisas atraentes para que empresas e marcas se destaquem bastante no mundo vasto e sem porteiras que é essa tal de interwebs.

Acontece que, na contramão da demanda, a oferta anda fraca. A redação, publicitária ou jornalística, nunca foi a pauta (com o perdão do trocadilho) mais valorizada das agências. Por anos a desvalorização profissional de quem escreve foi tão palpável que isso acabou afastando dos cadernos e do Word pessoas que poderiam, realmente, fazer a diferença na seara.

Hoje vemos um déficit absurdo de bons escritores – sim, escritores – dentro do mercado de marketing digital. Empresas especializadas ganham aportes significativos para prestar o serviço, grandes agências criam setores específicos para redação e, mesmo assim, a qualidade do que é publicado em sites, blogs e redes sociais ainda está muito aquém do que prevíamos quando, em algum momento da trajetória, pensamos entender o suficiente de escrita para ousar oferecer redação nos pacotes de marketing.

E, se hoje ainda não acordamos para a importância desse profissional, amanhã pagaremos muito caro por fechar os olhos ante a “precisância” de palavras bem escritas no ambiente digital.

Sei de cadeira o que é lutar pelo reconhecimento do que se escreve. (Ainda) não tentei publicar nada oficialmente, mas em meados de 2011, quando comecei a me envolver mais com conteúdo digital, pegava freelas que me pagavam R$2 por texto. E já naquele tempo eu despendia muito tempo para que o conteúdo do cliente fosse preciso e com qualidade. Lembro que chegava em casa cansada do trabalho “oficial”, abria o computador, pesquisava e escrevia. A R$2.

Hoje vejo o quanto isso é absurdo, mas foi assim que comecei o meu caminho em conteúdo digital e, querendo ou não, não dá pra voltar atrás. Acabei virando a pessoa para quem outras pessoas perguntam o que fazer com seus conteúdos – e, principalmente, se tenho gente para indicar a freelas da vida.

O problema é que esse tipo de indicação vai ficando cada vez mais raro, já que trabalhei com dezenas de pessoas que não entregavam qualidade nos serviços que prestavam. A culpa, eu acho, não era só delas: é (sim, continua sendo) de um mercado que aceita qualquer coisa, porque o que vale é o clique.

Aqui na TWM meu job é escrever. Às vezes, passo o dia todo escrevendo. São nove, dez horas de escrita, de pesquisa. Aí preciso ficar o outro dia absolutamente sem fazer um nada, porque o cérebro frita. Criação tem disso: você não será produtivo o dia todo, o tempo todo, e no outro dia talvez tenha que tirar uma folga, porque senão o fantasma da falta de qualidade nunca sai de perto.

Escrever não é fácil. Não é barato. Mas como diria o Laranja, um super profissional que já deu até curso sobre isso, eu acredito no conteúdo. E se você também acredita, e quer ser um profissional focado em seguir por esse caminho, quero tomar a liberdade de te dar três dicas básicas para ser melhor no que você faz.

Não se preocupe: não são dicas surpreendentes, não são “segredos da escrita”, não é nada que vá fazer você ficar milionário em três meses. Mas pode fazer você ficar milionário com muito trabalho pelos próximos anos – e, se isso não acontecer, pelo menos você se diverte no processo de escrita. Isso eu posso te garantir que acontece.

Leia muito. Nunca pare.

Sou leitora compulsiva. Quando falo para as pessoas que minha média anual de leitura é de 40 livros, muita gente faz cara de espanto. No fundo, eu é que me espanto com o pouco que as pessoas leem – a média do brasileiro é de 4 livros ao ano!

Cada um faz o que quer da sua vida, às vezes a pessoa não gosta de ler e pronto. Mas é inadmissível que um profissional que se diga redator, social media, leia tão pouco, porque só se aprende a escrever lendo – e isso eu aprendi lá no pré, quando tinha seis anos e fui alfabetizada através de uma cartilha chamada “O Sonho de Talita”. Não adianta fazer cursinho de português: isso ajuda, mas só vai te fazer entender o que é um aposto ou onde entra ou sai uma vírgula. Sem ler, o que quer que seja, um escritor nunca será capaz de escrever, escrever de verdade.

Assim como dublador tem que ser ator para entender a emoção que coloca na voz do personagem, todo escritor tem que ser, primeiro, leitor. Acredite: se você não se dedicar a ser leitor, com certeza passará a vida entregando redação meia boca – e recebendo um pagamento meia boca por isso.

Escreva todos os dias

Separe um tempo no seu dia, em um lugar tranquilo, e escreva. Nessa hora, pode sair qualquer coisa: uma pequena nota, um texto opinativo, a nova página daquele romance que não sai da segunda linha há anos. Escreva pelo menos um pouquinho. Isso vai te ajudar a flexibilizar suas ideias e a criar roteiros para sua escrita.

Estou há cinco anos desenvolvendo algumas histórias que, um dia, pretendo publicar. Às vezes, elas ficam dias sem ter novos capítulos, porque mexo aqui e ali em coisas que eu já escrevi e mudei de ideia. Outras vezes, quando um cliente pede um e-book sobre o sexo das baleias, eu pesquiso e escrevo em tempo recorde: em três dias o negócio está pronto.

Tá vendo como o tempo é relativo? Mas é por causa desse pouquinho que se escreve todos os dias, por conta própria, que um job pode ser desenvolvido em questão de minutos, principalmente quando ele é urgente e inadiável. Quando você se habituou a olhar para uma tela branca de Word e, todo dia, tentar juntar algumas palavras nela, fica mais fácil escrever “sob pressão”, quando é muito necessário.

E quando não é, você escreve todos os dias e consegue levar seus projetos para frente do mesmo jeito.

Tenha mentores

Uma coisa que tenho aprendido ultimamente (ultimamente mesmo, tem apenas alguns meses que venho fazendo isso) é que não adianta escrever pra você achar bonito. Alguém tem que ler e validar o que você acha que ficou muito legal.

Geralmente a gente se espelha em likes nos status bem produzidos. Isso é legal, é uma reação pública a algo que você colocou no papel, mas não pare por aí. Peça opinião de profissionais para ler o que você desenvolve, de vez em quando. E fique tranquilo, não estamos falando em procurar o “guru da escrita”, nem de pagar para que alguém te revise, nem de tentar chegar no George R. R. Martin e pedir dicas (se bem que o Bernard Cornwell, esse sim, vale seu tempo. Ele é prestativo e já me ajudou muito, até sem saber): estamos falando em pedir àquela pessoa que você sabe que entende de escrita que dê uma olhada e que, por favor, não jogue confetes. Critique, acabe com o texto, mostre todas as falhas quando elas existirem.

Importante: não se ofenda com feedbacks negativos. Lembro de um dia em que uma das melhores chefes (e professoras) que eu tive na vida, Tacyana Arce, jogou (literalmente) no lixo uma matéria que eu tinha feito para a Rádio UFMG Educativa. Ela embolou o papel, jogou fora, bradou “ficou uma merda, faz de novo”, e eu fui lá fazer de novo. A segunda tentativa deu certo.

Hoje, sempre peço aos meus professores (de uma graduação que deixei há sete anos) que leiam o que eu tenho escrito. Se penso em fazer algo voltado para mulheres, por exemplo, peço um tempo de algumas amigas – o público alvo – para que possam ler e criticar. E estou sempre disposta a abraçar o fracasso sem levar para o lado pessoal.

É desse jeito que me orgulho sempre que um cliente diz que o texto que eu fiz ficou adorável. Ou que teve muito clique, que levou um tráfego considerável a um blog ou site. E que me orgulho também quando o cliente fala, assim como a Tacy, que o texto ficou desprezível. Que é pra eu fazer de novo. E eu sempre faço, porque aprendi com meus mentores que escrever é um processo doloroso, porém divertido; pode ser cansativo, mas o esforço sempre dá resultado.

As dicas que eu te dei são isso: apenas dicas. Um pouco do que eu aprendo constantemente ao escrever para o mercado publicitário, jornalístico ou editorial. Mas são fragmentos de uma história que, espero, um dia ainda dê um livro.

(Ah, e como leitora compulsiva, mal posso esperar para ler a sua história. Deixe aqui nos comentários ou mande um e-mail se quiser qualquer feedback: lais@chadeconteudo.com/novo)

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