5 lições empreendedoras da Comic Con Experience

Passei os últimos cinco dias em São Paulo, a cidade brasileira das oportunidades. Não fui a nenhum congresso sobre comunicação ou empreendedorismo, mas é como se eu tivesse participado de um combo que reunisse as duas coisas e mais algumas outras quatro partes da vida. Foram cinco dias de aprendizado intenso, networking brutal e muitas esperanças renovadas.

Ah, onde eu estive pra absorver isso tudo? Na Comic Con Experience, uma convenção nerd de quadrinhos, séries e cultura pop em geral. O principal objetivo era dar aquela força para o Samurai Boy, que é nosso cliente, mas a gente acaba aprendendo muito mais do que ajudando…

O mais engraçado é que você não vai a um evento desses esperando aprender algo. Você só quer se divertir (checked), ajudar seu cliente (checked) e, se der sorte, chegar perto do Khal Drogo (muito checked!). Mas, ao fim do dia, além das lembranças e das compras, a gente também traz na bagagem lições empreendedoras para a vida – e não só para a empresa. As esperanças, claro, se renovam. São Paulo é, mesmo, a cidade brasileira das oportunidades.

Veja abaixo minha lista de

5 lições empreendedoras da Comic Con Experience

  1. É possível viver de arte

Lembro quando eu era mais nova e queria ser atriz (acho que toda criança já quis ser atriz): as pessoas diziam que eu estava louca e que a fama era uma coisa muito difícil de se conseguir – e dinheiro com arte, então, é impossível.

Essas pessoas não podiam estar mais erradas (– mas, graças a elas, acabei dando certo em outra área para a qual me dediquei muito, que é a comunicação. Então a sublição 1 é que nem todo erro é uma tragédia. Mas vamos lá). Dá, sim, pra viver de arte. Quando você se dedica, estuda, trabalha, corre atrás e se esforça muito, você consegue seu espaço.

A experiência com o Samurai Boy me mostrou isso: no Artist’s Alley da Comic Con haviam 200 artistas, em sua maioria independente. Entre eles, cerca de cinco muito incensados por serem da DC Comics e da Marvel. E, mesmo assim, o Samurai esteve lá firme e forte, vendendo suas revistinhas, tendo seus quatro dias de fama, tirando fotos e distribuindo autógrafos.

Só que, claro, o Samurai não surgiu da noite para o dia. O artista, Dan Arrows, está há mais de um ano se dedicando a esse projeto, em “horas vagas”. Se ele se dedicar nas horas de trabalho, então, vai ter ainda mais sucesso.

Resumo: dá pra viver de arte sim, mas a grana não vai te perseguir e nem pular no seu colo sem mais nem menos. Você tem que fazer arte, o que significa trabalhar pra caramba, não interessa se sua arte é ser ator, é desenhar, é escrever, é vender produtos, é atrair atenção de clientes. O que quer que seja, você tem que dar seu suor e seu sangue.

Se você quer viver de arte, seja arte 30 horas por dia.

  1. Só dá pra aprender fazendo

Chegamos à Comic Con com uma estratégia muito clara de vendas. Falhamos absurdamente no primeiro dia. Se compararmos a um jogo de futebol, entramos em campo na retranca, tentando atrair a atenção do público apenas existindo, estando lá.

Observando as estratégias utilizadas por outros artistas, fomos lapidando a nossa. Nos dois últimos dias de evento, saímos da retranca e fomos arrumar o meio de campo para o ataque. Deu super certo. Crescemos a base de e-mails cadastrados em mais de 80% e vendemos revistinha igual água.

Além disso, o Dan foi selecionado para participar de um workshop da Petrobrás (apenas 30 artistas dos 200 no local foram convidados) e, no último dia, conseguiu fazer contato com gente do calibre de Maurício de Sousa – que lembrou do seu trabalho na hora! Ou seja: a mudança de estratégia deu super certo.

Moral da história: não se apegue a um mapa, a uma estratégia, porque você pode perder a guerra por uma estratégia falha. Não deu certo, mude o viés do que você está fazendo. Inteligente não é quem tem uma estratégia infalível, e sim quem consegue perceber as falhas da sua própria estratégia e mudar o rumo antes que seja tarde demais.

  1. Em algum lugar do universo existe um público que te respeita

Fiquei positivamente chocada ao ver que, para todos os 200 artistas expondo, existia um público específico. As histórias eram muito diferentes umas das outras; os traços, nem se fala. Mesmo assim, ninguém ficou lá a ver navios: todo mundo conseguiu fortalecer sua base e ganhar mais fãs.

Isso me valeu muito ao pensar nos blogs, principalmente nos independentes. Mesmo quando a gente acha que está falando com as paredes, isso não é totalmente verdade. Em algum lugar do mundo sempre existe um público que te respeita e precisa ouvir o que você fala.

Não desanime se seu blog, site ou jornal de bairro tem apenas três leitores, porque são três vidas que você influencia diretamente. Lembre-se disso e aprenda a respeitar seu público sempre, colocando cada vez mais material de qualidade no universo. E, cada vez, melhor do que a última vez. Essa é a sua obrigação com seu público.

  1. Toda escolha é uma renúncia oportunidade

Já ouvi dizer milhares de vezes que cada escolha é uma renúncia, porque a gente sempre escolhe um caminho em detrimento do outro. Bullshit. Cada escolha, na verdade, é uma oportunidade, para o sucesso e aprendizado ou só para o aprendizado.

Escolha ser melhor, escolha fazer mais, escolha acordar mais cedo e trabalhar enquanto todo mundo ainda dorme, escolha dormir mais tarde, escolha qualidade de vida, escolha correr riscos, escolha não saber o que vai acontecer amanhã, apenas escolha, e continue escolhendo, independente do resultado.

Nenhum sucesso vem da noite para o dia. Ou, como já foi dito, pode até vir na calada da noite – mas geralmente essa é uma noite que dura muitos anos.

  1. Não existe espaço para quem desiste

Essa é a lição mais óbvia. Se você desiste ou esmorece pelo caminho, você perde o espaço que estava tentando construir – e, aí, vai ter que começar tudo de novo, ou viver sem saber se conseguiria, por não ter tentado (o que, claro, também é uma escolha bem plausível).

Como a gente diz aqui em Minas, “foi na roça, perdeu a carroça; foi no vento, perdeu o assento”. E ter um assento entre 200 artistas da Comic Con é um prêmio pela desistência que nunca veio.

Tudo bem, a gente fica cansado às vezes. Somos humanos, somos passíveis de querer desistir todos os dias. E geralmente queremos isso mesmo. Mas a diferença está justamente em desistir ou não ao fim de cada dia.

Acredite: quem persevera pode até ter seus dias de sofrimento, mas é quem vai ficar guardado nos anais da humanidade por ter feito a diferença no universo. Você tem todo o direito de desistir daquilo que tanto persegue, mas não venha colocar a culpa no mundo por não ter tido o reconhecimento que merecia se parar no meio do caminho.

No mais, que você tenha coragem pra persistir, sucesso pra perseguir e uma vida longa e próspera para aproveitar toda a recompensa do seu esforço.

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2 Comments

  1. Muito bom, o texto, Lais. Mostra que vocês estão no caminho! Beijo grande

    1. Valeu demais, Sidão! Foi um enorme prazer te conhecer no evento e, pode saber, são pessoas com seu entusiasmo que nos inspiram a seguir adiante sempre, “mais um dia, e só por hoje”. 🙂

      Um beijo!

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